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Terça-feira, Dezembro 30, 2003

Nosso Natal

Rafa viajou com o pai.Foi dar uma força ao "velho", que perdeu a mãe ano passado e ainda não se recuperou.(Aliás, nenhum de nós, que a velha era maravilhosa mesmo!)
Ficamos eu e Mel.Sozinhas, coitadinhas, né?
Hahahaha
Ledo engano, meus filhos!
Como disse minha sábia filha, bom é comer sem medo que "alguém" devore o último pãozinho nem o sorvete todo.
O cardápio:
Peito de peru com calda de pêssego, exigência da filhota, que pra ela "Natal sem peru não é Natal".
Farofa de ameixas e passas.
Pãozinho.
Frios pra acompanhar o pãozinho(tooooodos).
Sorvete de chocolate.
Calda de morango.
Brigadeiro.
Bolo de chocolate(receita já divulgada, com calda de morango recheio de brigadeiro e chantilly)
Chocottone
Guaraná antartica pra fingir de champagne.
Assistimos o senhor dos anéis, o todo poderoso(bobo, bobo), acendemos luzinhas e pisca pisca, abrimos o presente dela.
Ela ganhou um conjunto Barbie-corderosa de Microscópio e Telescópio, enfim algo Barbie aproveitável.
Tirei uma foto dela na camisa branca do pai se sentindo a própria cientista.
Rafa ligou de noite e eu me prometi que ele não viaja mais no Natal.
DE JEITO NENHUM!
Bom, mas ano novo ele estará aqui, junto com o leitão, que ano novo não é dia de peru!

Feliz Ano Novo, meus amores!

Domingo, Dezembro 21, 2003

Então é Natal......

Meu Natal adulto sempre foi uma festa depressiva.Minha avó, quase minha segunda mãe, talvez até minha primeira, morreu num dia de natal.Uma família pequena, pai, mãe, três irmãos, não tinha muita animação, era tv ligada, especial de Roberto Carlos e uns filminhos, como Natal Branco, aquele com Bing Crosby e a Felicidade não se Compra, que a tv insistia em reprisar nas noites de Natal.
Só quando tive filho foi que o Natal passou a ter outra conotação pra mim.Foi enfeitando a casa pra receber Papai Noel, me enfiando em shopping lotado pra tentar achar o presente de última hora, já que o 13º só saía quase na véspera(ô saudade!!!!), comprando papel de presente colorido e fitas e aprendendo a fazer embrulho na marra, que eu redescobri a alegria do Natal.
Esse ano aconteceram muitas coisas.É como uma vida que recomeça.Uma morte astrologicamente falando.
Esse ano eu descobri que não estou sozinha.
Que não sou inútil, incompetente, incapaz.
Que posso ser amada, que meu amor pode ser retribuído.
Que tenho direito ao sol, à vida, ao amor.
Descobri gente que como eu sofre, que tem dúvidas, que não sabe de tudo mas quer descobrir o máximo que pode.
Gente pra quem os filhos são a coisa mais importante desse mundo, que vive nesse dilema entre filhos, casa, trabalho, homem.
Gente que deixou trabalho pra cuidar de filho e se culpa.
Gente que deixou filho com outros pra trabalhar e se culpa.
Gente que se culpa mais do que eu.(Quase impossível!)
Vou contar um segredo:Eu me culpo por tudo, daí o mantra"Abaixo a Culpa!".É mais a necessidade de convencer a mim do que a vocês.
Esse ano eu caí, me levantei, achei mãos que me seguraram, que impediram outras mãos de me jogarem do abismo.
Esse ano, apesar de tudo, eu vou ser feliz!

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos,
estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer

No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta,
estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver

Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança

No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça,
estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer

No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos,
estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas,
quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer

No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver



Sexta-feira, Dezembro 19, 2003

Da série Memórias

Ah, essa gente do interior!

Papai Noel não existia no meu Natal infantil!

Tá, eu já acreditei em Papai Noel, mas não foi ele que povoou de sonhos minha primeira infância.
Natal se comemorava no dia 25, com almoço em família, leitão assado, galinha, perutambém, mas carne de peru não era muito apreciada, ddura, escura, o peru era de verdade, não engenharia genética, acabava sobrando todo pro famoso escaldado que levava dias rolando pela mesa...(ah, tá, dois dias só, eu sei).
Galinha não era um prato do dia a dia, era coisa chique.Carne se comia toda hora, mas uma galinha ensopada, de molho pardo, era um acontecimento para ocasiões importantes.
Frutas cristalizadas, panetone.Frutas importadas que só se comia no Natal, como figos, nozes, castanhas, tâmaras, ameixas, passas.
No Natal a mesa virava uma vitrine de cores e sabores exóticos, com minha avó a vigiar as crianças para que não acabassem de vez com aquelas preciosidades, trazidas do Rio nas viagens que antecediam a festa.Bebia-se vinho e cidra, as crianças comportadas podiam beber um golinho na taça na hora do brinde.O porco com a maçã na boca era um atentado à imaginação infantil, ele me fascinava, achava que ia abocanhá-la a qualquer momento e voltar correndo para o chiqueiro.Enquanto não cortavam o pobrezinho permanecia a ansiedade.Depois vinha o terror de ver o bicho esquartejado, e a cabeça cada vez mais solitária com a maçã na boca.
Ah, as maçãs, peras, ameixas, pêssegos.Frutas importadas do Sul em caixas de madeira, envoltas em papel de seda roxo, brilhantes,lindas.Abertas pra gente como tesouros preciosos, desembalados com cuidado reservado a bibelôs de louça...Assim como o presépio...
Tinha árvore de Natal.Bolas de vidro, vermelhas, umas com enfeites brancos imitando a neve, mas o verdadeiro fascínio na minha casa não era a árvore, era o presépio.
Aquelas estatuetas de gesso, guardadas como preciosidades o ano todo, enfim voltavam à vida.Maria, José, o menino jesus, os bichinhos, os reis magos...
Eu ficava horas debruçada, olhando, trocando os personagens (ligeiramente, imperceptivelmente, pra minha avó não descobrir) de lugar, inventando histórias sobre a participação deles no nascimento de cristo.
No dia 24 tinha a Missa do Galo.Eles bem que tentavam fazer a gente assistir, mas depois de muito pssssiu, beliscões e olhares indignados dos vizinhos sem filhos, mandavam a gente pra fora, brincar no adro da igreja.Lá, sob a supervisão dalguma freira bigoduda e mal humorada, estava aquela multidão de crianças engravatadas, apertadas em vestidos de voil e casinha de abelha, sapatos de verniz e meias demi-bas, aquela até o meio da perna com a bolinha pendurada.Todo mundo tentando brincar sem sujar a roupa nova, suando dentro dos coletes de tergal e das camisas de peitilho e de colarinho engomado.
Voltávamos pra casa, crianças para a cama, não antes de se certificarem que os sapatos estavam na janela, esperando os reis magos.ÉEEEEEE.Papai Noel só apareceu depois, eu ganhei muito presente de Baltazar, o negão barbado de roupa dourada, que eu admirava secretamente e pedia ao menino jesus pra deixar ser ele a trazer meu presente, afinal ele tinha cara de generoso.O branquelo do manto azul eu achava que levava mó jeito de pão-duro.
Dia 25, presentes, comida e brincar, brincar, brincar.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2003

As meninas do Parto Nosso(lista de discussão da web sobre parto natural) criaram um blog sobre amamentação e me convidaram pra dar pitaco.Vai !

Sábado, Dezembro 06, 2003

As crianças:

Fiquei chocadíssima com o plágio que anda acontecendo no Megeras(Gente, estão copiando os textos da Ticcia, do Megeras).Contei pra Rafael.Capacidade de síntese:
"Ô gente de vida vazia!".

Passeando com Mel, vimos uma casa verde abacate, horrorosa.
- Olha Mel, que coisa horrível!
-É mesmo, mãe, parece que tá gritando"Socorro, socorro, eu tenho mau gosto, me salve, por favor!".

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