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[Segunda-feira, Maio 10, 2004]

A respeito das mulheres
Mario Prata

Não tenho estatísticas em mãos e nem sei se existe alguma coisa a respeito das mulheres dos 40 aos 50 ou mais, sobre seu estado civil.

Mas, se eu for pensar em minhas amigas que estão por aí, posso afirmar que a grande maioria está separada. E com filhos. E achando que nunca mais vão conseguir outro homem. E se acham horrorosas.



Como eu sou de uma faixa um pouquinho acima, vou meter meu bedelho.

Eu dizia que elas se acham acabadas. Porque elas não se consideram achadas?

As mulheres de 40/50 têm várias vantagens. A primeira é que já tiveram os filhos que tinham de ter e a gente não precisa se preocupar com a possibilidade de elas quererem mais um, justamente com a gente, que não está mais a fim de trocar fralda, ir à reunião de pais e filhos e vigiar a maconha na adolescência. Esta parte elas já resolveram.


Outra vantagem é que elas sabem que Cinema Novo não é aquele cineminha que inauguraram outro dia no shopping. Cantam as músicas dos Beatles com a gente e também não sabem muito bem quem são Oasis. Lembram até da Copa de 1970, no México, e algumas delas chegaram a ver o Pelé jogar.


Sabem até a medida da Marta Rocha. Sexualmente sabem tudo. E como. Tiveram mais homens que possa imaginar nossa filosofia. Aquele negócio de ter orgasmo assim ou assado (assado é péssimo) elas já resolveram há mais de uma década. E já viveram o suficiente para se dar ao luxo de filosofar sobre a vida, sem aquelas bobagens que as meninas de 20 pensam e dizem e, às vezes, até escrevem em diário.


Neste momento, o computador acaba de me avisar que chegou uma mensagem nova. Fui olhar e era mais uma daquelas perguntando se eu quero aumentar o tamanho de meu pênis. Tem até a foto de um aparelho que "infla". Você já pensou, na hora de fazer sexo, vc abrir o guarda-roupa, tirar aquela geringonça (a máquina, não a sua) e dizer: um momentinho que você vai ver o que é bom pra tosse? Não, as mulheres de 40/50 ou mais há muito tempo deixaram de se preocupar com o tamanho da geringonça. Com elas é "menas" preliminar e mais ação.



A mulher de 40/50 ou mais vai direto ao assunto. Elas já perceberam que podem comer, e não apenas dar. As mulheres de 40/50 ou mais comem como gente grande, comem como homem. E a gente dá, com prazer. A mulher de 40/50 ou mais já tomou aqueles porres memoráveis de quando tinha trintinha. Ela sabe beber. Ah, a mulher de 40/50 ou mais no verão chega a seu esplendor debaixo do sol. Sabe a medida certa de sua cor e de seu suor. Sai da água como se saísse de um aquário, como se desfilasse em cima da água.

Não acampa mais, nem fica em pousada sem internet. A mulher de 40/50 ou mais sabe onde quer ficar. Gosta de um confortinho... Enfim, a mulher de 40/50 ou mais sabe tudo e não está nem aí.

Por que então você sofre, mulher? O mundo não está perdido, está achado. Você é o melhor papo da praça. Você é o que há".

Mário Prata


por Mani * 10:43 AM

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[Sexta-feira, Maio 07, 2004]

Mães, Razão e Emoção

para Érika e Déa

Quando engravidamos e guardamos dentro de nós um pedacinho de vida, somos o mundo.
Parir é jogar no mundo aquele pedacinho de vida que guardamos, então, relutamos.
Ao tê-los em nossos braços nos sentimos completas, únicas, poderosas, mas pequenas, humildes, agradecidas e ...terrificadas.
Como dar conta agora, daquilo que no nosso ventre era só uma promessa?
Como alimentar, vestir, educar, suprir o que aquela nova vida precisa?
E se errarmos?
E se o nosso erro custar caro àquela vida que já nos é tão cara?
Aquele bebezinho vai crescendo e pedindo, exigindo mais, mais atenção, mais amor, mais conhecimento.E por ele viramos médicas, nutricionistas, fisioterapeutas, personal stilist, professoras, cozinheiras, artistas, ufa!
E nos dói o primeiro olhar de decepção, quando ele descobre que tem "alguma coisa" que a mãe não sabe fazer!
Mas vai chegar.
Chega a primeira queda, o primeiro corte, a primeira febre, o primeiro remédio errado ou esquecido.
A vida é assim, cheia de decepções, de tristezas, de inseguranças.Seres humanos e não supermulheres que somos.
Mas um dia depois do olhar de decepção vem o primeiro presente, feito pelas mãozinhas gorduchas, ainda sem muita firmeza.
Vem a flanelinha com a impressão das mãozinhas em tinta, o pano de prato ,que jamais enxugará nada na vida, a não ser as lágrimas da mãe descompensada na festa.
Depois vão ficando mais elaborados, até que finalmente se rendem à seara do consumismo, ou do pão durismo, mas vêm sempre acompanhados do beijo molhado, do abraço cheiroso, quentinho, que paga tudo com juros, o mercenarismo da escola, o mico da festa, os nossos pais, os nossos maridos, tudo que a gente pensou que fosse e não é, tudo que a gente queria ser e não foi, tudo que a gente não acha que pode ser e enxerga naqueles olhinhos:
A MELHOR MÃE DO MUNDO.

por Mani * 2:03 PM

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