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[Sexta-feira, Setembro 17, 2004]
A Ética Profissional e a Insensibilidade
Ou Da objetividade
No séc.XVI, Descartes inicia a busca por um método científico que permitisse provar as afirmativas metafísicas, estudar científicamente assuntos considerados dogmas de fé, coisas em que se acreditava ou não, mas não se discutia.
Três séculos depois, Durkheim, o pai da sociologia tenta equipará-la às ciencias naturais, dotando-a de um método de estudo que visse os fatos sociais como coisas, objetivamente.O empirismo, o afastamento do objeto visava um produção cintífica, que provasse o que se dizia.
Nos outros campos do conhecimento o movimento era o mesmo.Precisa-se de provas científicas, estudos fundamentados.A ciência evolui, muitas descobertas são feitas, mas o cientificismo traz consigo o desprezo pelo que não se pode provar.Parte da ciência acumulada em séculos de conhecimento prático e intuitivo são deixados de lado, porque não há provas.
A medicina começa uma era de descobertas quase mágicas, com a descoberta dos microorganismos e dos remédios para doenças antes sem cura, mas despreza as plantas, a sabedoria popular como "crendices".
Com o advento da anestesia, a cirurgia ganha força e importância e o parto ganha um aliado importantíssimo, a cesariana.Nessa cirurgia, mães e crianças , antes fadadas à morte, tem uma nova chance de sobreviver.
Nessa época as mulheres ricas ociosas, preguiçosas, gordas, começam a ter dificuldade de parir.Os médicos, por outro lado, são deuses, ciosos de sua importância e de seu status, e os partos, que eram feitos nas camas e no chão, pelas parteiras, são "elevados" à mesa de cirurgia.
As mulheres pobres continuam parindo pelo chão e nas camas, mas as burguesas começam a imitar as nobres.
A medicina, seguindo a visão geral da época, começa a tratar os doentes como coisas, objetivamente.
Freud vem da neurologia para a psicanálise, tratando de modo objetivo também os processos mentais, criando uma nova ciência.
O século XX vive o processo de pôr à prova, de questionar, derrubar religiões, discutir dogmas.Inventa-se, evoluciona-se, constrói-se uma sociedade baseada no ceticismo, na dúvida, onde os heróis são cada dia mais escassos e os deuses cada vez mais têm pés de barro.
Os homens apegam-se a pequenos heróis, cada dia mais circunscritos a uma esfera histórica particular, autofágica.
Os heróis tem vida cada dia mais curta, televisiva.
Ainda nos resta a magia de alguns cargos, profissões, que representam esses heróis perdidos, porque o homem neles é falho, mas o cargo é papal, divino.
Precisamos ver os sacerdotes, médicos, professores, terapeutas, como pessoas que são, sem essa aura de divindade do cargo.
Por outro lado, precisamos sim, de objetividade, racionalidade, mas sem perder a boa vontade, a mente aberta para o que ainda não conhecemos ou dominamos inteiramente.
Caminho do meio, caminho do meio!
por Mani * 8:49 AM
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